sábado, 13 de novembro de 2010

Síndrome de Alice



Hipnotizada a caminhar...
Acreditava na vida,
Murmurava belas canções,
Valsava marchas fúnebres,
Sugava a beleza do lixo,
Ocultava o cadáver da tristeza.
Sonhava e morria.

Sempre a representar...
Isolda caminhava.
Perdida em seus labirintos,
Maquiagem desfigurada,
Corpo chagado.                                          
Morria e sonhava.

Coloria as vestes de trapo.
Rasgava páginas de sua tragédia romântica,
Perfilhava ilusões,
Corria ao encontro da felicidade enclausurada.
O castelo desmoronava.
Sonhava e morria.

Perdeu-se na procura de um bem desconhecido.
Ignorou o seu mundo,
Mergulhou em fantasias.
Viveu um triste conto:
A realidade.
A morte a alcançou.

domingo, 7 de novembro de 2010

Ali? É só a lua!



Quão estranha é a beleza conhecida!
A visão fica turva,
O paladar perde a sensibilidade
E a surdez assola a alma.
De tanto lapidar diamantes,
Confundo-os com granito.


Banalizo a complexidade palpável.
Inexistente, torna-se o ínfimo.
Digno de espanto?
Só a desumanidade do homem!
Contemplo um eclipse
E peço pra natureza mudar de canal.


O regresso é fascinante.
Talvez voltando a engatinhar,
Resquícios de sabedoria me alcancem.
E eu perceba que caídas as cortinas,
A luz um dia cessa
Para o sublime sopro no escuro.

............

Os gritos do interior sufocam a alma.
Estridentes, melancólicos, perenes.
Interrompem a coagulação das mazelas
E esfacelam o aço aparente.
Na superfície das larvas,
Vejo a dialética do horror.

Destruída a utopia do monólogo,
Olho a face de cada personagem de mim.
Vorazmente tentam fugir de suas celas.
Assustada, caio no abismo da realidade
E tenho o primeiro contato com o infinito.

E agora?
Oculto o efeito do colírio?
NÃO!
Vislumbrarei tudo...
Enlaçada pela insanidade,
Caminharei lentamente.

Preâmbulo

Ao refluxo de pensamentos, o meu repúdio.
O cárcere fétido já não os aprisiona.
A dissimulada lucidez os fez cativos.
Ludibriando, argumentando prudência.
Cansei desse duelo mesquinho!
Agora vocês serão expelidos.

Alados, não importando mais a recepção.
Pensamentos não precisam de cortejos!
Voem por esse mundo cão.
Esqueçam suas mordaças.
Disseminem venenos e perfumes.
Suscitem repugnantes encantos.

Inebriados ao hino da liberdade,
Recitem sonetos bêbados.
Afoguem todo o receio.
E por fim, apedrejem seus túmulos.
Bem-vindos ao mundo,
Eis que a muito anseio essa chegada.