domingo, 19 de dezembro de 2010

Máscaras


Aspirei à verdade.
Fiz estátuas em sua homenagem,
Condecorei seus embaixadores,
Lutei contra os seus vilões.
Desejei-a inutilmente.
E fui apunhalada pelo fingimento.

Palavras mortas,
Sorrisos cheios de paralisia,
Teatro mórbido.
E neles o anseio à minha conformação.
A hipocrisia estava fantasiada,
Esperando o ápice da simulação.

Um cinismo repentino apoderou-se de mim
E com ele, lancei mão de todo pudor.
O derramamento de saliva seria insuficiente.
Nenhum gesto seria capaz de revelar
O acúmulo da repugnância.

Resta a ti o meu absoluto desprezo.

3 comentários:

  1. Escreve cada dia melhor...
    Tudo de isnpira!!!
    Só que tira poesia da revolta tão bem!!!
    Parabéns

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  2. nunca pensei que a decepção com alguém pudesse se encarada com tanta profundidade e poética morbidez

    a melhor parte é que vc apenas humilha a pessoa

    "resta a ti meu absoluto desprezo" nada mais humilhante que isso

    Adorei!

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